sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que a gente saiba perdoar

Fico feliz em poder pedir perdão. Por me desculpar pela palavra que usei como escudo ou como arma, pela dor que eu causei. Sou grata por conseguir ver onde errei, e por ter a chance de mudar a tempo.
As vezes, o perdão precisa vir de algo que a gente nem lembra que cometeu. E isso dói. Dói saber que a dor que causamos a alguém foi tão inconsciente para nós. Dói pensar que podemos afetar aos outros sem nem mesmo saber que estamos magoando. Dói não se lembrar.
Mas, superando a dor, também me alegro em ser capaz de perdoar o que me magoou. Perdoar é ato de coragem. Demanda abrir mão do orgulho, da raiva, da dor. A dor, às vezes, ainda não nos deixou, mas perdoar pode ser a chave para libertá-la de si.
Ainda tenho muito a perdoar, muito a pedir perdão. O importante, ao meu ver, é buscar melhorar. Mesmo que lentamente. Eu sei que a cada dia me torno alguém melhor. Eu posso ser melhor. Eu posso fazer bem para as pessoas.
Que a gente saiba perdoar e pedir perdão. Que a gente saiba ver onde errou e que dê o braço a torcer. Que a gente tenha oportunidades de mudar a tempo, antes que seja tarde demais.

terça-feira, 2 de maio de 2017

22.06.2016 Sobre o que a gente encontra depois de algum tempo

A morte de alguém, quando esta não morreu e se manteve presente na minha vida, foi o que mais me mudou. Mudou não porque eu quis, mas porque era necessário. Eu não podia manter em mim, na minha vida, na minha casa ou na minha cama alguém que, por mais que quisesse estar ao meu lado, não poderia estar lá.
Quem era eu sem ele? Como eu poderia viver sem aquela pessoa que fez de mim quem eu sou? Meu corpo sentia a falta do corpo dele e minha noites eram vazias sem alguém que estivesse ao meu lado na cama. Eu o amava, e ele, espero eu, me amava também. Mas amar não bastou para nós evitarmos esse fim.

Minha dor foi substituída pela tentativa de encontrar milhões de preenchimentos. A cada vez que eu trazia algo para o afastar, mais eu o trazia para perto de mim. Talvez se ele estivesse realmente partido, seria mais fácil. Se ele realmente tivesse partido, eu não teria que encarar recorrentemente tudo o que foi. A vergonha que é olhar. A raiva que dá. A tristeza. A saudade. Não é que eu não pudesse viver longe dele, pois eu podia, e passei a viver. O ponto é que a presença dele é uma história de um passado distante. E embora tenha passado, eu nunca soube explicar o porquê. 
Infelizmente, acho que as vezes precisamos de alguns porquês para resolvermos dentro de nós algumas coisas. Não sei quando vou encontrar esses porquês. Mas tenho esperança.


04-06-2015 Sobre o que a gente encontra depois de bastante tempo

Estou louca. Me perdi completamente, com toda a certeza. Fiquei louca porque cansei de viver uma vida mais ou menos. Enjoei de aceitar o que não merecia. Não aguentava mais sem tanta coisa que é essencial. Já tinha me bastado ter um pouquinho só. Superei meus paradigmas, meus
Você deve estar se questionando o que aconteceu para eu me tornar essa louca? Você aconteceu. Foi você e toda a vida que a gente teve. Todo o preconceito que você instaurou dentro de mim. Foi a insatisfação por uma vida aparentemente linda. Doeu mas foi bom pra mim. Dói mas é bom pra mim.
Fiquei louca no primeiro minuto depois de te deixar. Porque só aí, eu finalmente me libertei. Me libertei não de você, mas de mim. Só a partir daí que fui eu mesma. Dei asas a esse meu eu que tem tanta ânsia de liberdade, de conhecer, de experimentar. Esse eu que sabe que tem uma jornada muito longa pela frente.
Eu era uma criança. Eu tinha tanta coisa para aprender. Eu sei que ainda tenho. Mas, a dois anos, a tua opinião foi minha regra. Tua fala foi o que eu concordei. Tua falta de vontade foi a minha aceitação. E eu sempre quis tanto isso. Você me ajudou a vestir uma armaduras contra tudo e todos. E você, se armou contra mim.
Me fez questionar meu corpo, meus desejos, minhas necessidades.

Eu estou fazendo coisas erradas, eu estou me arrependendo de muita coisa, estou fazendo coisas que nós dois ficaríamos perplexos. Eu quero a perplexidade. Não me basta uma vida simples. Teu eu não combina com o meu. Teu limite é bem menor que o meu.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sou eu

Eu tinha listas, cadernos e publicações cheias de citações. Vindas dos livros que eu li, das coisas que vi, das músicas que ouvi e prestei atenção. 
Essa era a grande diferença: antes, eu realmente prestava atenção as coisas. Infelizmente, me perdi em meio aos meus problemas e deixei de lado alguns dos costumes que mantinha. Abandonando eles, abandonei também um pouco de mim. Fiquei para trás. Eu era o passado de mim mesma. 
Quem sou eu agora? A questão que eu me pergunto constantemente é a que menos sou capaz de responder. Tenho receio de dizer que sou alguém vazia, que se perdeu e acabou. Não aceito. 
Eu me reencontrarei. Talvez nos mesmos costumes, é possível que eu os encontre novamente. Caso contrário, pode ser que coisas, manias, gostos e prazeres novos me encontrem, me construindo novamente.
No fundo, eu sou eu, não é? Eu sou aquilo que eu era e apenas estou perdida, ou passei a ser outra pessoa? Acredito que ainda sou quem eu era, mas talvez deixei partes de mim fechadas numa gavetinha provisioriamente.
Mas hoje me sinto preparada para abrir novamente essa gaveta. Estou pronta para revigorar meus dias, meus desejos, meus objetivos. Eu me devo isso. Sou capaz de voltar a ter estímulos para minha vida. Eu posso fazer isso. Eu vou.

sábado, 19 de novembro de 2016

A dor transparente, transparece

Dentro das caixas onde você guarda suas lembranças, você sabe onde encontrar a sua dor. Mesmo que aquela caixa marque a época da sua vida que aparentemente foi incrível. Entre todos aqueles papéis e recados, está guardado seu sofrimento.
Ninguém consegue ver. Superficialmente, aquele é apenas o registro da sua vida feliz. A vida que todos acham que você viveu. Mas, mesmo invisível aos olhos, você consegue sentir a presença da dor no meio daquele alegria toda. Você não precisou escrever sobre ela.
Ela está implícita nas fotos, na roupa em que usou no dia em que se decepcionou. Nas suas letras, as palavras que você deixou de escrever ficam claras. Como se fosse uma caça ao tesouro. Mas você não quer encontrar aquela tristeza. E por isso ela não está registrada.
Mesmo assim, ela te encontra. Como um segredo fechado com cadeado que você não quer abrir, mas que passa pela fechadura. Você não as procura, mas elas fazem parte de você. Elas vêm junto com o pacote de alegria, de saudade, de lembranças.
A dor faz parte de você, e ela também ajudou a te construir. As dores estão sempres lá, escondidas em meio a tudo o que vivemos. Ela fica ali, transparente a quem não sabe o que senti.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sobre a autoestima

Sempre vivemos altos e baixos lado a lado. Ausente ou presente comigo, ela sempre se mostrou necessária. Me questiono sempre o por que disso e, porque, nas horas em que estou fragilizada, ela é a primeira a desaparecer.
Invejo aqueles que não dependem dela, ou os que a buscam com menor frequência do que eu. Questiono como posso chegar a algum patamar semelhante. Me pergunto também se a necessidade por ela sempre esteve comigo, ou se a desenvolvi em determinado momento da minha vida.
Junto com essas questões, sempre me pergunto como satisfazê-la. O que mudar de mim para ter minha autoestima de volta. O que fazer? como viver? como andar? o que vestir? que corte de cabelo ter? Eu sei que ela não está em pontos específicos, mas sim, em todo um conjunto de ações, momentos e sentimentos. Mesmo assim, crio em mim uma busca incansável por ela. E nunca a alcanço.
Hoje não sei quem sou, o que quero, para onde vou, quem vai ao meu lado. Por alguma razão, acho que minha autoestima ajudaria a superar essas incertezas. Ou mesmo, com ela eu poderia passar por elas com mais classe, disfarçando as bads que existem aqui.
Disfarçar. É exatamente o que minha autoestima faz. Ela encobre a dor, a dúvida, as marcas de incerteza que passo. Deixa o exterior belo, impenetrável para o outro que vê o mais fragilizado.
Assim, finjo estar bem e posso, então, evitar situações desagradáveis. Superficialmente, assim, ela me cura.
Hoje não sei a solução para minhas dores, mas acho que minha autoestima também não. Mas ser superficial certamente não é.



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Me amar

Sou de altos e baixos. Sou de longas fases altas, as quais me sinto bonita, feliz, bem. Essas longas fases me fazem sentir como se eu tivesse superado todas as mágoas, as tristezas e as insatisfações que vivi. Depois delas, voltam as fases baixas.
Nelas eu perco tudo o que conquistei. Esqueço dos meus méritos, do que eu sou, do que eu me vejo, do que me disseram. Talvez seja porque nesses momentos eu não tenha milhares de pessoas me lembrando dos meus pontos altos.
Infelizmente, eu preciso destas lembranças. Eu prezo e preciso de alguém que me diga que está tudo bem, que está tudo bem comigo. As vezes não tenho essa pessoa. As vezes eu não acredito nela. Nessas horas, eu sei que preciso me resgatar, pois aí, eu só dependo de mim.
O problema é como faço esse resgate. Por meio de tanta coisa que eu não sou. A partir de tanto desgaste, de tanta exibição. Eu supero tudo isso por meios fúteis e desnecessários, que mais me colocam por trás de uma máscara coberta de beleza, estilo e bem-estar irreais. Eu não sou assim.
Mas eu cresci assim. Num lugar onde tudo isso era importante. Num lugar onde a aprovação alheia era mais importante que a minha própria. E eu sou depende dela de tempos em tempos. Eu preciso disso de volta pra me sentir bem. Eu não consigo abandonar os traços de quem um dia fui.
Ao mesmo tempo, eu quero superar isso e chegar em um momento onde eu não considere mais necessário nenhuma opinião. Eu quero a minha auto-estima sem que ninguém a crie. Eu quero me amar pelo que eu sou. Mas quem eu sou?